Conversando com seu Raimundo
(Para inaugurar este espaço, escolhi um texto antigo, escrito em 2001, mas que infelizmente continua refletindo o momento atual. Escolhi-o especialmente para relembrar esse velho amigo que já deixou o mundo da matéria e cuja ausência me traz saudades).
Hoje, domingo, dia de visita ao asilo, aos meus amigos e
irmãos de caminhada.
A pergunta usual de meu amigo Raimundo: Alguma novidade?
Essa pergunta natural de todos os dias de visita, duas
vezes por semana ocorre porque ele espera que eu consiga resolver a contento,
alguns problemas de ordem material que parecem "encantados".
Como não havia novidades, acabam as nossas conversas
enveredando pelos caminhos que nos agradam, aos dois. Já nem sei se,
"agradam" seria o termo correto. Política não pode agradar a ninguém
que tenha um pouco de bom senso, mas, digamos que nos agrada discutir e
analisar os meandros comuns e escuros dessa atividade.
Nessa escuridão, encontramos o assunto para a conversa de
hoje: Emenda Constitucional para a erradicação da pobreza.
Sequer irei comentar os nossos pontos de vista, todos
eles, convergentes. Isso será matéria para outro escrito já em andamento.
Ao final da conversa, como resultado de nossa análise
comportamental sobre o povo, em geral, digo ao meu amigo que há momentos em que
penso deixar de escrever sobre tais assuntos. Que não consigo mudar a cabeça de
ninguém, que não consigo fazê-los verem a realidade.
Por fim, concluo que é por prazer que eu escrevo. E, até,
algumas vezes, como alívio e desabafo.
-Seu Raimundo – digo - eu creio que seja assim, como uma
privatização. Penso e analiso fatos políticos, com a mente cansada e o espírito
tenso pela observação da realidade; escrevo como forma de livrar a mente de
todos esses dejetos.
É um puxar da descarga que vai levar ao esgoto, todos os
pensamentos e análises sobre política.
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